Por que a geração Z está correndo atrás de seguros?

Ansiedade financeira, medo de imprevistos e o desejo de independência estão mudando a relação dos jovens com proteção, estabilidade e planejamento.

O que o medo tem a ver com venda de seguros? - Geração Z


Não sei se vocês sabem, mas existem sentimentos que desencadeiam necessidades de consumo. Se tratando de seguros, o medo é um dos sentimentos (talvez o principal) que faz uma pessoa virar a chave e tomar a decisão de procurar um corretor, afinal, nosso cérebro é programado para evitar riscos.

Pesquisas recentes identificaram uma alta na contratação de apólices de seguro de vida entre pessoas de 18 a 30 anos. Acredita-se que a pandemia seja o principal motivo dessa alavancada no seguro de vida, e faz todo o sentido, se você pensar no que esse produto oferece para o segurado em meio a um cenário de incertezas.

O que teme a geração Z? É sobre esse assunto que queremos falar aqui, levando em conta que, quando entendemos as necessidades de um público, sabemos a forma mais perspicaz de abordagem. Por isso, se  você gosta de percorrer a mente do consumidor e conhecer gatilhos mentais para melhorar sua tática de vendas, este conteúdo é pra você.

A geração Z nasceu em que ano?

São pessoas nascidas entre 1995 e 2009, portanto, Em 2025, a Geração Z tem entre 16 e 30 anos

Mercadologicamente falando,  a Zneration é caracterizada pelo desejo de independência; se conecta emocionalmente com as marcas; espera inovação constante; é especialmente cautelosa com dinheiro (valorizam cada real) e buscam investimentos inteligentes.

As características não param por aí, contudo, só com esses insights a gente já consegue ter uma ideia do porquê o seguro de vida chamou a atenção dos Zoomers.

Uma geração moldada pela incerteza financeira

Durante anos, o seguro foi visto como uma decisão para fases mais avançadas da vida. Porém, a Geração Z, formada em meio a crises econômicas, pandemia, inflação elevada, excesso de informação e transformações constantes no mercado de trabalho, compreendeu cedo que estabilidade não é algo garantido.

As questões socioeconômicas do novo milênio contribuíram para formar uma geração mais pressionada emocionalmente e mais preocupada em criar algum tipo de proteção financeira antes mesmo de atingir plena estabilidade profissional.

A insegurança econômica passou a influenciar diretamente escolhas pessoais, profissionais e planos de longo prazo. Hoje, 55% da Geração Z e 52% dos millennials afirmam ter adiado decisões importantes da vida – como casar, ter filhos, abrir um negócio ou investir em educação – por conta da situação financeira.

Além disso, fatores como o alto custo da moradia e a dificuldade de acesso à habitação impactam diretamente decisões sobre carreira, mobilidade e oportunidades de trabalho.

O mercado segurador ainda não conversa com essa geração

Mesmo convivendo com instabilidade financeira, burnout, ansiedade e trabalho informal, poucos jovens investem em proteção financeira. Parte dessa distância acontece porque o setor segurador ainda não conseguiu se adaptar totalmente ao estilo de vida da Geração Z. A linguagem excessivamente técnica, a burocracia e a ausência de conexão tornam o seguro um produto distante da realidade desses consumidores. 

A internet transformou medo em conversa pública

Uma das grandes diferenças da Geração Z é que ela externaliza preocupações e costuma expor nas redes sociais frustrações e inseguranças ligadas à vida adulta e ao futuro financeiro.  Muitos jovens passaram a refletir sobre o impacto econômico que situações inesperadas podem provocar dentro de casa, tornando temas como proteção financeira e segurança mais presentes nas conversas do dia a dia. 

A Geração Z cresceu em um mundo marcado por intensas transformações sociais, econômicas e tecnológicas. Seus valores influenciam profundamente suas decisões de consumo e suas escolhas pessoais e profissionais.

Esta geração demonstra um perfil de consumo diferenciado, caracterizado por:

1. Autenticidade, Transparência e Propósito: São características que influenciam a forma como se relacionam com marcas e instituições.

2. Cautela Financeira e Estabilidade: Cerca de 52% dos jovens da Geração Z possuem múltiplas fontes de renda e demonstram interesse em manter a estabilidade financeira. Eles são especialmente cautelosos com dinheiro, valorizando cada real e buscando investimentos inteligentes.

3. Foco no Presente e na Autonomia: Diferentemente de gerações anteriores, a Geração Z prioriza a saúde mental, o bem-estar e a autonomia financeira desde cedo. Muitos priorizam a liberdade, a flexibilidade e as experiências imediatas, em vez de um foco exclusivo na aposentadoria.

4. Digitalização e Conveniência: Assim como os Millennials (que já são protagonistas nas contratações de seguro de vida, representando 58% das apólices), a Geração Z valoriza processos rápidos, autônomos e sem burocracia, familiarizados com plataformas online.

O que os jovens estão desabafando sobre a vida adulta

Encontramos uma conversa entre no X que ajudou bastante a responder essas perguntas. Começando com esse assunto :

Agora ficou bem claro como o seguro de vida ajuda essa faixa etária e qual é o medo (pelo menos um deles) envolvido nessa necessidade.

Temos certeza que essa informação vai te inspirar nas suas estratégias para vender seguro de vida para pessoas de até 30 anos.

A vida adulta virou praticamente um momento de terror coletivo entre os jovens. Relatos sobre ansiedade financeira, medo de não conseguir se sustentar sozinho, pressão profissional, aluguel caro, exaustão mental e a sensação constante de estar “atrasado” na vida são disseminados online pelos Gen Z.


O que os Gen Z temem?

A Geração Z cresceu vendo demissões em massa, aumento do custo de vida, dificuldades para comprar imóveis, pressão estética nas redes sociais e uma sensação permanente de insegurança econômica. Isso impacta diretamente a forma como essa geração consome, trabalha e planeja o futuro.

Hoje, muitos deles têm receio de:

  • Ficar endividados;
  • Não conseguir manter independência financeira;
  • Sofrer acidentes e não ter suporte;
  • Precisar ajudar financeiramente os pais;
  • Ter custos inesperados com saúde;
  • Deixar a família desamparada em situações extremas;
  • Perder bens conquistados com esforço;
  • Não conseguir manter o padrão de vida diante de crises.
Usuários do X comentam sobre o impacto emocional dessa fase de transição

Pode parecer cedo para pensar nisso, mas a realidade é que parte dessa geração já mora sozinha, trabalha de maneira autônoma, dirige, empreende, financia bens e vive sem uma rede de proteção sólida. E quanto mais responsabilidades surgem, maior a percepção de risco.

Ser previdente e cauteloso no meio das incertezas

Para a Geração Z, falar de dinheiro inclui assuntos relacionados a reserva de emergência, renda extra, investimentos e proteção do que foi conquistado. Não à toa, criadores de conteúdo têm puxado essa conversa com exemplos bem práticos: guardar um valor todo mês, montar uma reserva para imprevistos, organizar as finanças antes de assumir um aluguel ou um carro e pensar em proteção patrimonial como parte da rotina, não como algo distante.

  • Nath Finanças — fala de dinheiro de forma simples e direta, com foco em “finanças reais para pessoas reais”; o projeto também tem blog e plataforma própria.
  • Me Poupe! — um dos maiores nomes de educação financeira do país, com conteúdos sobre investimento, renda extra, reserva de emergência e organização do dinheiro.
  • Primo Pobre / Eduardo Feldberg — mistura humor e finanças para falar com quem quer entender dinheiro sem complicação.
  • EconoMirna / Mirna Borges — canal voltado a investimentos e educação financeira, com linguagem acessível para o público digital.

Além desses canais, blogs de fintechs têm puxado essa conversa de forma prática e acessível, incentivando hábitos como guardar dinheiro todos os meses, montar uma reserva para imprevistos, organizar as finanças antes de assumir um aluguel ou financiar um carro e pensar na proteção patrimonial desde cedo. 

O seguro de vida deixou de ser “produto para família tradicional”

Durante décadas, o seguro de vida foi vendido quase exclusivamente para pessoas casadas, com filhos e patrimônio consolidado. Só que a lógica mudou. A nova geração enxerga valor em coberturas que façam sentido no presente — não apenas em um benefício futuro.

Assistências, cobertura para doenças graves, suporte psicológico, indenização por invalidez, renda temporária e serviços de bem-estar passaram a despertar interesse real entre jovens consumidores. O discurso também mudou.

Em vez de focar apenas em “o que acontece se você morrer”, as abordagens mais eficientes agora giram em torno de:

  • autonomia financeira;
  • liberdade;
  • tranquilidade;
  • suporte em momentos difíceis;
  • proteção da rotina;
  • estabilidade emocional e financeira.

E isso conversa diretamente com uma geração que valoriza praticidade e experiências com utilidade imediata.

A geração do digital não tolera burocracia

Existe outro ponto decisivo nessa mudança: experiência. A Geração Z não tem paciência para processos lentos, linguagem complicada e excesso de burocracia. Se a contratação não for simples, transparente e rápida, o interesse desaparece em segundos.

Por isso, seguradoras, corretoras e insurtechs precisam começar a adaptar linguagem, canais e produtos para atender esse novo comportamento. De forma prática, esse público espera:

  • contratação digital;
  • comunicação humanizada;
  • linguagem simples;
  • atendimento rápido;
  • autonomia na jornada;
  • personalização;
  • transparência nos custos;
  • flexibilidade de cobertura.

A lógica é parecida com a forma como essa geração consome streaming, banco digital ou aplicativo de mobilidade, isto é, intuitivo, acessível e claro.

O fator emocional virou peça-chave nas vendas

A nova geração de adultos costuma se conectar com histórias reais, experiências pessoais e conteúdos autênticos. Estratégias baseadas apenas em pressão comercial tendem a gerar rejeição. Por isso, marketing de conteúdo, vídeos curtos, creators e conversas mais humanas passaram a ter um papel importante na aproximação entre jovens e o mercado segurador.

O corretor que entende as dores dessa geração consegue criar uma comunicação muito mais eficiente. Porque, no fim, a venda começa quando alguém percebe que precisa de segurança para continuar construindo a própria vida.

Proteção deixou de ser assunto “de adulto”

A ascensão da Geração Z dentro do mercado de seguros mostra uma mudança cultural importante: jovens não estão mais esperando “a vida começar” para pensar em proteção financeira. Eles cresceram em um cenário acelerado, instável e imprevisível — e isso alterou completamente a percepção sobre risco.

Para o mercado segurador, isso cria um novo desafio: abandonar discursos ultrapassados e construir produtos, jornadas e experiências alinhadas à realidade dessa geração, funcionando como ferramentas de estabilidade, autonomia e continuidade.

Porque a Geração Z talvez não queira promessas distantes, mas sim, sentir que existe alguma proteção possível enquanto tenta sobreviver ao presente.

E você, qual seguro você ofereceria para esses zoomers?

Os preocupados com prejuízos na casa

Grey's Anatomy…

Com grandes missões vem grandes responsabilidades

Agora a pergunta que não quer calar: eles têm dinheiro pra comprar seguro?

Levando em conta que a geração Z está entre  17 e 31 anos em 2026, não é 100% desse público que pode efetivar a compra de um produto como esse.

Embora as gerações mais jovens adiem decisões financeiras de longo prazo, como casamento e filhos, a consciência da importância do seguro está presente: 68% dos adultos com menos de 40 anos reconhecem o seguro como essencial para garantir estabilidade financeira no futuro.


As preocupações desses jovens, os chamados Zoomers, incluem:

• Garantir a proteção financeira em situações adversas, como morte prematura, doenças graves ou acidentes, para cobrir despesas médicas ou dar suporte à família.

• Evitar que, em caso de falecimento, a família precise arcar com custos como o funeral.

• A necessidade de proteção para aqueles que já possuem o primeiro carro, se formaram, enfrentam riscos da profissão ou já moram sozinhos.

O que você precisa ter em mente, é que uma parcela dessa população já tem o primeiro carro, já se formou e enfrenta os riscos da profissão ou já mora sozinho.
Em estudos de campanha para o Google Ads, encontramos pesquisas pertinentes, veja algumas:

Essa pesquisa pode ter partido de um pai interessado em seguro de vida para o filho, ou do próprio jovem interessado em seguro .

Aqui conseguimos ver mais um fator que pode ter contribuído para a alta do seguro de vida entre pessoas jovens.



É importante reforçar também a necessidade de um trabalho mais estruturado de marketing digital em redes sociais visando uma estratégia eficiente de segmentação + conteúdo apropriado para essa faixa etária. 

Reinventando o Seguro: flexibilidade e benefícios em vida

Para atrair a Geração Z, o setor de seguros de vida precisa se reinventar. Os produtos atuais nem sempre se alinham às prioridades desses consumidores, que buscam benefícios de fácil acesso e gratificação a curto prazo. Além disso, a complexidade das apólices e a falta de clareza continuam sendo obstáculos.

O seguro de vida deve deixar de ser uma proteção distante e transformar-se em algo dinâmico e transparente, com impacto no presente, e não apenas no futuro.

Ao oferecer soluções que combinam acessibilidade, experiências digitais integradas e benefícios no presente, o mercado de seguros pode criar possibilidades e soluções que tornam o seguro de vida uma experiência de valor na jornada de vida dos jovens. Quanto mais cedo a Geração Z for estratégica em seu planejamento financeiro, maior será sua liberdade e segurança ao longo da vida.

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